Diagnóstico incorreto afeta tratamento de meninas e mulheres autistas

Em pleno Dia Mundial da Conscientização do Autismo um assunto tem sido muito discutido por especialistas em saúde, que é o diagnóstico de meninas e mulheres com o transtorno. De acordo com a empresária e também escritora britânica Alis Rowe, o diagnóstico de mulheres e meninas com autismo quase sempre é visto como características “femininas”.

“As mulheres e meninas com autismo parecem ser pessoas introvertidas e tímidas. Essas características vistas como comuns para o sexo feminino acabam por tornar essas pessoas ‘invisíveis’ em relação ao diagnóstico do autismo”, explica Rowe.

A escritora chamou a atenção para essa questão justamente por ter sido diagnosticada com TEA (transtorno do espectro autista). Seu diagnóstico foi feito quando já era adulta, o que reforça ainda mais essa particularidade das meninas e mulheres com autismo não serem reconhecidas com o transtorno. Alis Rowe faz parte do seleto grupo de pacientes do sexo feminino que foram diagnosticadas com autismo.

O transtorno do espectro autista é um tipo de condição onde o paciente precisa conviver com os sintomas ao longo da vida. Para quem sofre com o autismo, o transtorno afeta a sua forma de comunicação e interação com o mundo, o que quase sempre é confundido nas mulheres como timidez ou ainda introspecção. Já o nível do transtorno pode variar bastante dependendo de cada sintoma apresentado pelo indivíduo, sendo que há autistas com impactos sutis, enquanto outros apresentam maior comprometimento de suas habilidades.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) revelou dados em novas notícias de que 1 a cada 160 crianças apresentam o TEA. Os números são globais, o que significa que essa proporção é muito grande. No entanto, a organização também mostrou que há uma grande disparidade no diagnóstico entre os gêneros, sendo que há muito mais pacientes do sexo masculino do que autistas do sexo feminino.

Só no Reino Unido, há aproximadamente 700 mil indivíduos com TEA, sendo que a cada dez homens com o transtorno, uma mulher apresenta sinais de autismo. Em outros estudos sobre o assunto a disparidade é ainda maior, sendo de 16 para 1.

Os dados mostram que homens são mais diagnosticados com autismo, mas isso não significa que as mulheres são menos afetadas com o transtorno. Na verdade, o que tem se notado é que o diagnóstico de mulheres autistas tem sido feito de forma errada, por isso há tanta disparidade entre os gêneros.

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